Antes de começar, e antes que você se decepcione, quero esclarecer uma coisa: eu não vou, repito, não vou falar o que é um publicitário, como possa sugerir o título. Pra esse propósito, inclusive, qualquer dicionário serve. O que eu vou fazer aqui é tentar desmistificar algumas coisas a respeito da classe e assim, talvez, você chegue a um conceito.
Vamo! No círculo social que eu faço parte, eu sou um dos poucos que optou pelas humanas e o único que escolheu Publicidade. Um ou outro escolheu Direito... Eu sou bem só. Enfim, a maioria dos meus escolheu Engenharia, e esses são os que costumam jogar na minha que vão ganhar mais que eu, “um publicitário”. Mas se você parar pra pensar isso é bem relativo. Já ouvi relatos de PHDs se matando dando aula pra muleque pra tirar alguma coisa e publicitários que... Alguém conhece Washington Olivetto? Antes de tudo, sem dúvida, isso vai da competência do profissional, qualquer seja ele.
Os de Direito têm esse hábito chato de considerarem-se “mais profissionais” por lerem muito. Poxa, é o que se espera de um aluno de nível superior e, ao contrário do que muitos pensam, a gente não passa o dia fumando ou desenhando. A gente lê pra caramba também.
Fugindo dos meus amigos, chego ao meu emprego. Certo dia, um professor de economia nos encarregou de planejar o que seria a promoção de um produto fictício, criado por nós, no dia das crianças ou algo assim. E assim a gente começou fazendo. Por saber que eu estudo publicidade, o resto do grupo me colocou na parte criativa da “promoção”. Comecei fazendo o que achava mais sensato: delegando algumas tarefas para o dpt. de marketing, como escolher uma agência, encomendando pesquisas sociais e de mercado... Tudo comum quando se trata de um planejamento de campanha junto ao anunciante. Até que surgiu uma dúvida se tudo que eu tava fazendo ali super de boa era certo. Chamaram o professor.
Ele chegou e a partir daí não lembro muito bem como aconteceu. Só lembro de algumas coisas que ele falou, do tipo: “Não, não precisa dessas pesquisas. A empresa só quer uma propaganda do dia das crianças.” Lembro da minha resposta: “Sim, a empresa falou o que queria, mas a gente tem que pesquisar direitinho antes de fazer qualquer coisa, pra não correr o risco de fazer uma campanha ineficiente ou mesmo que não agregue nada a empresa.” E ele ia: “Mas quem tem o dinheiro? Se sua agência não quiser fazer do jeito que eu quero, eu procuro uma que queira...” Aí pensei comigo: “Beleza, queridão! Você tem o dinheiro, mas eu acho que a gente passa 4 anos numa universidade por um motivo.” E como eu já falei, não é pra fumar.
O que a gente pode tirar disso tudo é que algum (censurado) inventou de colocar na cabecinha de muita gente que publicidade é uma opção pra vagabundo ou mesmo pra quem prefere concorrência baixa no vestibular (o que está mudando, visto que nos últimos anos PP tem ficado entre as 3 mais concorridas da UFPE). Velho, publicidade é uma carreira séria e já vem mantendo toda uma sociedade há um tempinho. Portanto, respeite. Ou vai dizer que tu comprou um carro 2013 porque é “é bom pra terra e pro asfalto”?

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